Como a gente mediu — e o que perdemos.
Esta página existe para que o +87 da primeira dobra possa ser conferido em vez de acreditado. Aqui está o corpus, a régua do juiz, como a cegueira foi construída, o resultado completo — inclusive as derrotas do nosso lado, uma por uma — e as ressalvas que enfraquecem a medição.
O que estava sendo medido
Uma coisa só, e concreta: qual das duas respostas tem mais chance de levar aquela paciente a marcar a avaliação — sem mentir para ela e sem soar como robô.
Não é uma nota de simpatia nem uma média de qualidade de texto. Cada julgamento é uma comparação direta entre duas respostas para a mesma mensagem, da mesma paciente, no mesmo ponto da mesma conversa. Uma dessas respostas é a da nossa secretária de IA; a outra é a que uma secretária humana experiente deu de verdade, no dia, no WhatsApp da clínica.
119 conversas que aconteceram de verdade
O corpus é de 119 conversas reais e anonimizadas de uma clínica de estética em operação — pacientes de verdade, com pressa, áudio, foto, pergunta de preço, dúvida clínica e desistência no meio. Nada foi escrito para o teste.
Dessas conversas saíram 477 turnos julgáveis: os momentos em que havia uma mensagem da paciente e as duas secretárias tinham o que responder. Rodamos a nossa IA nos mesmos pontos, com o mesmo histórico na mão que a humana tinha.
Doze juízes de IA — e é importante dizer que são de IA
Os 477 turnos foram divididos em 12 lotes, e cada lote foi julgado por uma instância de IA independente, com a mesma régua e sem nenhum contato com as outras. Não são doze pessoas. Preferimos escrever isso na cara do que deixar a palavra “juízes” sugerir um júri humano.
Por que assim: 477 comparações lado a lado é trabalho demais para um painel humano repetir a cada versão do produto, e a régua aplicada por pessoas diferentes escorrega. Como a medição precisa ser refeita a cada release para servir de alguma coisa, ela tinha que ser repetível e barata. O custo dessa escolha é real: um juiz de IA tem gostos próprios e pode errar como qualquer juiz. O que protege o número não é a infalibilidade dele — é a cegueira do passo seguinte.
Como garantimos que ninguém sabia quem era quem
Se o juiz souber qual resposta é da IA, o número não vale nada — para cima ou para baixo. Então a identificação é destruída antes do julgamento e só volta na hora de contar:
- Cada conversa sorteia quem é a Secretária A. O sorteio é feito pelo identificador da conversa, então em algumas a IA é a A, em outras é a B. Não há um lado “da IA”.
- O juiz recebe só o par. Mensagem da paciente, resposta A, resposta B, e quais ferramentas cada lado executou naquele turno. Sem marca, sem rótulo, sem pista de origem.
- O gabarito fica num arquivo separado, que o juiz não lê em nenhum momento.
- A apuração é feita depois, por um script que cruza os vereditos com o gabarito. É nessa hora — e só nessa hora — que se descobre quem venceu.
Os cinco critérios, nesta ordem de peso
A régua é a mesma para os dois lados e está escrita antes da medição, não depois de ver o resultado:
- Respondeu o que a paciente perguntou? Devolver pergunta com pergunta, ou ignorar um “onde fica?”, “quanto custa?”, é a falha mais grave.
- Disse a verdade? Inventar horário, preço, unidade ou condição é falha grave mesmo que a resposta soe ótima.
- Fez o que disse que ia fazer? Se prometeu “vou ver a agenda” e nenhuma ferramenta foi executada naquele turno, a ação não aconteceu — é promessa vazia.
- Conduziu para o próximo passo? Propor unidade, período ou horário concreto vale mais do que qualificar indefinidamente. Repetir uma pergunta que a paciente já ignorou é falha.
- Soa como gente? Frases curtas de WhatsApp, português correto, sem despejar texto de anúncio.
Empate é resposta legítima e foi usado: 116 dos 477 turnos terminaram empatados porque as duas resolviam igual.
O placar, dos dois jeitos
Contando turno a turno: nossa IA venceu 224, empatou 116 e perdeu 137 — saldo de +87.
Contando conversa a conversa — quem venceu mais turnos dentro de cada atendimento: nossa IA leva 62 das 119, a secretária humana leva 37, e 20 terminam empatadas.
Onde cada lado perdeu — inclusive nós
Esta é a parte que normalmente não se publica. Para cada turno perdido, o juiz teve de apontar qual foi a falha de quem perdeu. As duas listas somam exatamente as 137 derrotas nossas e as 224 dela.
Por que nós perdemos
137 turnosPor que a secretária humana perdeu
224 turnosDuas leituras honestas saem daí. A primeira é a que a gente exibe na home: inventar dado — o erro que faz uma clínica perder a confiança da paciente — apareceu 32 vezes do lado dela e 4 do nosso. A segunda é a que a gente prefere não esconder: a nossa maior falha específica é repetir uma pergunta que a paciente já respondeu ou já ignorou, 29 vezes. É o alvo declarado da próxima versão, e o número vai ser medido de novo por este mesmo caminho.
Vale dizer também que “silenciou” 40 vezes do lado humano não é preguiça: é uma pessoa com fila na recepção, atendendo presencialmente, sem conseguir voltar no WhatsApp. É exatamente o buraco que um sistema que não dorme fecha — e é por isso que a comparação é justa em qualidade e injusta em disponibilidade.
A mesma prova, três vezes, em três versões
O mesmo corpus e a mesma régua já rodaram outras vezes, à medida que o produto e o motor de IA por trás dele mudaram. O placar não subiu sempre — uma troca de motor derrubou o resultado para o campo negativo, e foi essa medição que mandou desfazer a troca:
| Rodada | Versão | Saldo |
|---|---|---|
| 15 de julho de 2026 | v3.9.0 | +55 / +58 |
| 31 de julho de 2026 · motor trocado | v3.41.0 | −9 / −12 |
| 6 de agosto de 2026 | v3.50.0 | +87 |
As duas primeiras linhas têm dois números porque a prova foi rodada duas vezes naquelas datas. Todas as rodadas usaram 477 turnos, o que as torna comparáveis número a número.
As ressalvas que a gente faz questão de escrever
Leia antes de usar este número para decidir algo
- O painel de juízes não é o mesmo entre as rodadas. A régua e o método são idênticos; os juízes, não. A comparação com julho é forte, mas não é um experimento perfeitamente controlado.
- Os juízes são de IA, não pessoas. Blindamos o que dava para blindar — a cegueira e o sorteio — mas um painel humano mediria outra coisa, e provavelmente mediria melhor.
- É uma clínica só. 119 conversas de um único negócio real, de um único segmento. Não é uma amostra do país.
- É uma profissional específica. “A secretária humana” é uma pessoa experiente e boa no que faz, num dia real de trabalho, com fila na recepção — não é um padrão da categoria.
- A comparação é de qualidade de resposta, não de tudo o que uma secretária faz. Ela recebe paciente, organiza a sala e resolve o que aparece na porta. Nada disso entra nesta prova.
Quer conferir por dentro? A régua do juiz, os lotes julgados e a apuração existem em arquivo. Se você está avaliando o produto para a sua clínica e quer ver o material, é só pedir.
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